O presente de quinze em quinze dias

13/11/2016 4 Maçãs
Consta que há tempo para tudo. Que não há tempo para tudo ao mesmo tempo, mas que tudo é feito a seu tempo.

Perdoem-me o facto de o tempo fazer parte de todas as minhas conversas e devaneios ultimamente. Sinto-me a punir-me a mim própria, num pequeno ciclo vicioso: as coisas não correm como eu quero, perco mais tempo nessas coisas, essas coisas correm ainda pior, culpo o cansaço e a falta de tempo para me dedicar ainda mais a essas coisas.

E assim se passam os meses. De quinze em quinze dias repito a mesma rotina de culpa e compensação, sem conseguir chegar a um consenso comigo própria. Até quando consigo pequenas vitórias, já penso na desgraça que virá daí a quinze dias.

Tenho tentado várias estratégias, todavia, ainda não foi desta que encontrei a certa. Sei que giro melhor as minhas responsabilidades quando não tenho sequer tempo para me lembrar das consequências possíveis caso algo corra mal — foi assim com o meu secundário todo. E tenho tentado fazer isso mesmo, distrair-me umas horinhas por semana noutras atividades que me façam sentir bem e útil, acima de tudo. Gosto de ter um propósito em tudo o que faço, e detesto sentir que estou a... bem, perder o meu tempo. :)

Não tem sido fácil. Parece que tenho mais dificuldade em lidar com estes meus próprios dilemas internos, que vou construindo no meu subconsciente (porque, lá está, até parece que não vai tudo andando!), do que a realizar o meu estudo certinho e direitinho.

Pressiono-me a mim mesma. Vou nervosa para todas as avaliações. E para quê? Não me adianta de nada pensar assim, tudo o que tenho feito é no sentido de aprender a controlar melhor a desorganização que sinto a pesar-me nos ombros. Pensamentos desalinhados, muitas vezes negativos... estou no curso mais bonito, na faculdade mais acolhedora, já era tempo de me sentir feliz com o que tenho conquistado e não me chatear tanto com o que ainda está para vir.

E, para o caso de ainda não terem percebido, escrevo isto para, precisamente, me tentar organizar. Escrever sempre me ajudou a pensar mais claramente. Hoje não está a ser exceção. E, se tem mesmo de ser, que seja — hei de aprender a viver a vida de quinze em quinze dias, no meu presente.