Viajantes

28/01/2015 0 Maçãs

Isto de estudar Fernando Pessoa tem das suas vantagens. Quem diz Fernando Pessoa, diz Alberto Cairo, diz Ricardo Reis, diz Álvaro de Campos, e acho que me fico por aqui porque mais não se estuda no 12º ano.

Faz-nos questionar, não faz? Até os poemas do Caeiro, que tão firmemente afirma que se recusa a pensar (antimetafísica e objetivismo é que é bom, e a Natureza é Deus), me levam à interrogação e à dúvida.

Escusado será dizer que estou a adorar; posso não perceber nada à primeira, mas ouvir a explicação da professora e tentar compreender (lá estou eu outra vez a usar o pensamento e a razão!) todos aqueles poemas escritos por pessoas tão diferentes... acho que precisei de chegar ao último ano do secundário para me voltar a sentir entusiasmada com Português. Não necessariamente entusiasmada para estudar, que isso é coisa rara e, habitualmente, exclusiva das disciplinas de ciências naturais e exatas (além disso, tive teste hoje, por isso, estudar é a última coisa que me está a apetecer fazer neste momento), todavia, as cinco (cinco? - credo, já nem me lembrava que eram tantas) horas letivas semanais que tenho todas as semanas já custam menos a passar (aqui entre nós, já nem olho tantas vezes para o relógio...).

Ora então, onde é que eu ia com esta conversa toda? Ah, sim, Pessoa. E Caeiro. E Reis. E Campos (se bem que correto, correto, era referirmo-nos a estas entidades pelo nome e apelido, que não as conhecemos de lado nenhum e são todas muito mais importantes hoje do que nós alguma vez iremos ser). O que eu queria mesmo dizer é que todas estas perspetivas diferentes me fazem pensar, todos os dias, nalguma maluquice diferente. Esta é a de hoje...

Se o presente é o agora, o passado já passou e o futuro ainda está para vir, é certo e sabido que só por dizer "presente!" já estamos, na verdade, no passado. Da mesma forma, sempre que começamos uma frase, sabemos que quando a terminarmos já estaremos no futuro. Três dimensões, todas elas interligadas e todas elas quase simultâneas (isto se pensarmos a fundo no assunto).

Seremos todos viajantes no tempo? Se todos avançamos ao mesmo tempo, se todos nós temos as mesmas definições de presente, passado e futuro, não passamos todos por tempos diferentes ao mesmo tempo? Eu posso dizer que alguém vive no passado, mas, na verdade, se coexistimos, isso quer dizer que vivemos ambos no passado. Também posso dizer que alguém vive no futuro e isso quererá dizer que eu também vivo no futuro.

Ou não? Será que a relatividade das palavras não consegue destronar a objetividade do tempo? 1800, 1900, 2000, 2010... não faz tudo parte do passado agora? E este agora, não faz parte do passado agora? E este último agora...

...

Eu gosto de pensar que viajo no tempo. Em caso de dúvida, posso sempre fazer como o Phileas Fogg e viajar à volta do mundo - quem sabe não chego um dia mais cedo também...

0 Maçãs:

Enviar um comentário

Olá! Obrigada pelo teu comentário no Pomarão. :)