Carro novo ;)

25/10/2014 0 Maçãs

Parecia um sonho. Ainda hoje estive a contar esta história, e juro que à medida que ia relatando mais e mais pormenores, mais me parecia que tudo tinha, efetivamente, sido um sonho. Mas não foi.

Ontem, tal como faço todas as quintas-feiras, saí a correr da minha aula de Formação Musical para conseguir chegar a tempo à paragem - a tempo de apanhar o autocarro, entenda-se.

Pois sim. Meia hora depois, e eu ali continuava, crente na minha fé de que tinha, sim, chegado a tempo e de que o autocarro estava apenas muito, muito atrasado. (já agora, explico: tratava-se do último autocarro do dia, logo, ou esperava ou... vinha a pé para casa, o que não é muito agradável independentemente da hora do dia ou da cor do céu)

Ali continuei, pois então, levantando-me sempre que vislumbrava o tejadilho de um veículo a passar na rua acima que se parecesse remotamente com o autocarro que eu há tanto tempo esperava que me fosse resgatar à paragem. Passou o autocarro do colégio-não-sei-quantos, o autocarro do colégio-não-sei-quantos-2, o autocarro do colégio-não-sei-quantos-3 (não sei se sabem, mas em Leiria e nas redondezas o que não faltam são colégios), o autocarro expresso com destino a Lisboa, o autocarro expresso com destino a Peniche, enfim. Todos, menos o meu.

Ora então, 45 minutos depois da hora suposta, avisto um autocarro diferente. Branco (foi o que consegui perceber na escuridão duma noite antecipada pelos dias pequenos desta estação) e grande. Com muitas janelas. Grandes. E, em letras garrafais cor-de-laranja, o destino por que eu tanto ansiava.

A minha cara de espanto deve ter sido tal que, não fosse o sr. motorista a fazer-me sinal para eu me aproximar e entrar, muito provavelmente ali teria continuado, estática, imóvel, sem saber o que pensar. Entrei, ouvi o "então, não me diga que cheguei adiantado!", e reparei como o tópico de conversa entre as duas únicas pessoas que, além do sr. motorista, no veículo se encontravam era, efetivamente, o carro novo. Porque este carro veio para ficar.

Nova paragem mais à frente, o espanto e a admiração nos clientes frequentes deste serviço. "Ó chofer, uaaaauuuu, carro novo!", ouço eu, enquanto esboço um sorriso de orelha a orelha com a chegada dos restantes comentários à medida que as pessoas iam entrando.

A conversa dos passageiros, que habitualmente consiste em relatos de telenovelas ou em cusquices tremendas que me recordam constantemente de que vivo numa pequena terriola onde toda a gente se conhece, teve um tema diferente, desta vez. "Ai que as janelas não abrem, vamos sufocar aqui dentro!" - "Não se preocupe que no inverno estamos quentinhos!".

Dizia eu que parecia um sonho. E parecia mesmo. Um autocarro grande, com "campainhas" (não sei o que lhes hei de chamar - aqueles botõezinhos onde carregamos para avisar o condutor de que queremos sair na próxima paragem) à distância de um braço de qualquer lugar sentado. Nada de trambolhões quando nos levantamos para ir tocar numa das míseras três campainhas que o outro carro tinha - reza a lenda que, depois de ter avariado tanta vez, a rodoviária lá se convenceu a arranjar um carro diferente.

A meio do caminho, olho pela janela: um gato branco, ao lado de um... gato preto. Tirem daí as vossas conclusões. Eu, por mim, digo que há dias diferentes, e que há noites que parecem sonhos.

...

Adoro andar de autocarro. Já vos disse que adoro andar de autocarro?

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