Ping, ping

19/09/2014 0 Maçãs

Song On The Beach, Arcade Fire, "Her" [link]

A chuva inspira-me.

Nas cidades, as pessoas falam da chuva como se de uma calamidade se tratasse. Aquele monstro que nos obriga a andar sempre de guarda-chuva em punho enquanto esperamos pelo próximo ataque súbito pelas costas ou pela frente que, aliado à sempre simpática ação do vento, nos molha da cabeça aos pés e nos faz ganhar uma certa indignação pelo desprezo dos condutores de veículos fechados de quatro rodas que por nós passam chafurdando os passeios e quem lá se encontrar com aquela água negra que circula pelas estradas.

E assim é, na verdade. Todavia, não há outra sensação como a da água a bater com força por cima das nossas cabeças, sem nos tocar, mas libertando-se à nossa volta num jorro contínuo ou em subtis gotinhas de água, tão pequenas e tão poderosas ao mesmo tempo. Estar em casa, ou na escola, olhar pela janela e ver as gotas nos vidros, ouvir a trovoada ainda ao longe e pressentir o vento que se faz sentir lá fora. E nós cá dentro, protegidos, abrigados, como se nada nem ninguém nos pudesse atingir. Mas pode, e basta abrirmos a janela para sentirmos toda a fragilidade do mundo exterior, sem nunca nos esquecermos, no entanto, de que basta voltarmos a fechar a janela para que a paz se reestabeleça e possamos regressar à nossa rotina do quotidiano.

A chuva é mais forte do que qualquer um de nós, mas munidos do guarda-chuva certo e de um bom impermeável, até o mais fraco de nós se consegue-se sentir forte. É ou não é um sentimento mágico?

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