E foi assim o 11º Estágio Internacional de Orquestra

28/08/2014 0 Maçãs
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Última quinzena de julho. O pessoal dispersa pelos não-sei-quantos festivais de música organizados um pouco por todo o país. O Algarve enche-se de turistas ansiosos por torrarem ao sol e apanharem escaldões que, muito provavelmente, lhes irão provocar uns quantos problemas de pele no futuro. E eu, aqui por Leiria, lá me resolvo a participar, pelo terceiro ano consecutivo, no Estágio Internacional de Orquestra da Região de Leiria/Fátima, desta vez na sua 11ª edição.
 
Para quem não tem acompanhado os meus relatos dos anos anteriores, aqui deixo os links para se poderem informar melhor:
 
Ora então, este ano tivemos direito a um reportório de classe. E quando digo "de classe", digo... "de classe"! A verdade é que não é todos os dias que temos a oportunidade de tocar peças de Mendelssohn, Mozart e Beethoven. Muito menos com uma orquestra composta por músicos e estudantes de todo o país (e mais além), dirigidos por maestros com diversos estilos e, no fundo, todos reunidos com o propósito de aprender com um verdadeiro mestre na arte do ensino e da direção da orquestra. Refiro-me, obviamente, ao Maestro Jean-Sébastien Béreau, um nome reconhecido internacionalmente e que nem nós sabemos a sorte que temos em podermos aprender com ele.
 
Ah, sim!, o reportório:
  1. Ouverture "Der Schönen Melusine", Op. 32 (1833) - Felix Mendelssohn (1809-1847)
  2. Sinfonia Concertante para Violino e Viola, K364 (1779) - Wolfgang Amadeus Mozart (1756-1791)
  3. Sinfonia N.º 4, Op. 60 (1806) - Ludwig van Beethoven (1770-1827)
(sim, aqui somos nós a tocar Mendelssohn! - vejam os segundos violinos no... segundo vídeo, ehehehe)
 
Pessoalmente, as dificuldades que tive inicialmente foram tantas (para não dizer outra coisa!) que logo nos primeiros dias só me apetecia cair para o lado e permanecer nessa posição. Tudo isto porque, embora tenha ficado novamente nos segundos violinos, digamos que me foi atribuída uma posição pouco confortável e de grande responsabilidade dentro do grupo. Até acabou por ser uma boa experiência, uma vez que fui obrigada a seguir tudo com muita atenção... sim, que isto de contar cada tempinho e dar entradas dá uma trabalheira de todo o tamanho - mais um bocadinho e tinha um esgotamento... :)
 
Pois bem, já estão a ver a desgraça que foi nos coitadinhos dos segundos violinos (vá, vá, pelo menos nos primeiros dias). Para mim, o mais difícil deste reportório estava na velocidade (ouçam o 4º andamento da sinfonia nº4 de Beethoven e perceberão) e nas entradas (pum pum Mendelssohn), uma vez que é necessário perceber o que está a acontecer à nossa volta e, ao mesmo tempo, ter noção do nosso papel na orquestra. Aí está, para mim, a magia de uma orquestra - todos temos uma função, todos somos fundamentais para que o som conjunto soe bem. Podemos ser primeiros violinos e ter o tema, ou podemos ser segundos violinos e suportar o tema com a nossa replicação deste ou com as nossas harmonias. Não é por termos "primeiros" ou "segundos" no nome que somos mais ou menos importantes, somos todos iguais enquanto naipes de um muito maior agrupamento - uma orquestra.
 
(dei o exemplo dos violinos porque a) é o instrumento que eu toco e b) é, portanto, o exemplo com que mais me identifico, uma vez que não tenho qualquer problema em tocar uma ou outra voz)
 
Assim sendo, até aquelas míseras quatro páginas do Mendelssohn se mostraram um maior desafio do que aquilo que qualquer um de nós estava à espera, uma vez que reuniam dificuldades de técnica, de leitura e de som conjunto. Beethoven e Mozart, por outro lado, foram exatamente aquilo que eu esperava que fossem. Cada um com as suas partes mais difíceis, mas, no geral, até se mostraram mais, digamos... acessíveis (pronto, pronto!, o 4º andamento de Beethoven não conta, já disse!).
 
Resta-me referir que os concertos foram na Escola de Formação Social Rural de Leiria (onde montaram um lindo cenário, digno de um casamento!), no Salão Paroquial da Maceira e, como já é habitual, nas Capelas Imperfeitas do Mosteiro da Batalha. E não, não foi desta que voaram partituras (bom, pelo menos as da minha estante... ehehehe) nem que me caiu cocó de pombo em cima.

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Este ano os ensaios não foram bem como costumam ser. Após as provas de admissão (buá, leitura à primeira vista da parte de primeiros violinos da 1º Sinfonia de Beethoven...), começámos logo com ensaios de cordas e de orquestra, enquanto que só na segunda semana, numa ou noutra horinha, é que fizemos um ou outro ensaio de naipe. Tirando isso, o espírito de camaradagem e de aprendizagem, o convívio, tudo isso esteve presente em mais uma edição deste estágio. Gostei particularmente do meu naipe, que se conseguiu aguentar minimamente bem e mostrou como, afinal, a própria amizade se consegue fazer sentir na música que tocamos e que partilhamos uns com os outros. Foi um prazer conhecer mais alguns músicos extraordinários e que têm imenso potencial (não é, Miguel?) e tocar, mais uma vez, com estes meus companheiros de "luta" no Orfeão de Leiria, até com aqueles que fizeram as suas despedidas e que partem este ano para a universidade. Foi bom rever caras conhecidas, conhecer ainda mais franceses (acho que este ano ainda apareceram mais maestros desta nacionalidade do que nos anos anteriores!) e fazer aquilo que todos nós tanto gostamos de fazer: boa música e boas amizades.
 
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(já agora, aqui fica um tesourinho do ano passado; posso não aparecer, mas se ouvirem um violino desafinado posso muito bem ser eu)
 

(Berlioz, alguém?)

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