Adeus, (testes de) amor à sabedoria!

19/05/2014 0 Maçãs
Hoje fiz o meu último teste de Filosofia.

Ou, pelo menos, esta é a conclusão que tiro do facto de já não ter mais nenhum teste de Filosofia marcado para este período e de não estar a pensar chumbar ou repetir a disciplina, logo... A bem dizer, acho que ainda vamos ter de escrever uma dissertação, todavia, não existindo a palavrinha "teste" ou "avaliação" antes de "dissertação", a coisa ganha outro contorno, certo? Afinal, o teste deste período  vale 90% da nossa avaliação - ehehehe, o que vale é que faz média!

Aqui entre nós, gostei muito de ter esta disciplina durante estes últimos dois anos. Ganhou em vários concursos com as outras disciplinas - fazer mais esforço para não adormecer, esbugalhar os olhos mais vezes, dar mil e um bocejos, dormitar... - vá, agora a sério, é, realmente, uma disciplina muito interessante. Não vou negar que houve matérias tão, mas tão chatas que me apeteceu atirar os meus apontamentos pela janela fora - ainda bem que não o fiz, porque ainda me podia ter dado uma maluqueira e ter-me inscrito no exame nacional de 11º ano. No entanto, mesmo nesses momentos mais chatos, havia sempre qualquer coisa que fazia sentido e que me obrigava a acordar para a realidade. Olha, é mesmo! Uau, mas quem é que se lembrou disto? O mais chato, sem dúvida, é o estudar para os testes. Compreender a matéria, pensar bem nos tópicos, etc, não custa nada, chega mesmo a ser um prazer. Agora o estudo propriamente dito, é que dá cabo de mim. Ainda ontem estive debruçada sobre o conhecimento científico e o conhecimento xpto e as perspetivas disto e daquilo, e não deixa de ser curiosa a forma como, tal como a ciência, a própria filosofia foi evoluindo ao longo dos tempos. Acho que a maioria dos estudantes não tem muita noção disto (eu incluída), até porque tudo nos é dado de mão beijada. Ah, o Newton descobriu isto e aquilo? Ah, o Kant elaborou esta e esta teoria? Que interessante, vou-só-ali-atirar-me-da-janela-abaixo-e-já-volto-tal-é-a-grandessíssima-seca-que-isto-é.

Pronto, acho que me fiz entender. Não foi, em muitos aspetos, a disciplina que estava à espera que fosse, mas surpreendeu-me em muitos aspetos positivos, nomeadamente no que toca aos conhecimentos adquiridos. Acho que também tive sorte com o professor, que sempre se prestou a todo o tipo de esclarecimentos e acabou por, à sua maneira, me cativar para a disciplina. Afinal, sempre compensa fazer um esforço para permanecer atenta nas aulas. (p.s. para aqueles que estão no 10º ano e estão a achar uma seca, esperem até darem os silogismos no 11º ano - a coisa vai ficar mais engraçada!)

- Todas as raparigas partilham conhecimentos.
A PD não partilha conhecimentos.
A PD não é rapariga.
Um tesourinho que o NN escreveu numa ficha de trabalho aqui há uns mesitos atrás. Ficou giro, não ficou?

Sim, hoje fiz o meu último teste de Filosofia, e foi a melhor coisa que me aconteceu durante o dia de hoje. Só de pensar no quão nervosa estava de manhã, a começar logo o dia com aquela má disposição (que, independentemente do número de testes, testes intermédios, exames, provas, audições que eu possa já ter feito ou que ainda venha a fazer, nunca há de deixar de aparecer em momentos como este), a antecipar o desespero durante o teste para não confundir o Popper com o Kuhn e o Bachelard com o Comte e o conhecimento científico com o conhecimento do senso comum e a perspetiva continuísta com a perspetiva descontinuísta e o método verificacionista com o método falsificacionista e... vocês perceberam.

Que alívio, digo para mim própria. Não subiste a nota? Paciência, não se pode ter tudo. Há que olhar em frente e pensar em, pelo menos, manter as outras todas - embora fizesse falta um valorzito acima no que toca a FQA, mas enfim. Lá está, não se pode ter tudo.

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