Os fins justificam os meios

19/01/2014 0 Maçãs

Era inevitável. Temos em comum o 21 de junho, nomes a começar pela mesma letra e agora isto. "Os fins justificam os meios" é considerada a expressão máxima do pensamento maquiavélico, palavra derivada do nome do seu criador, Nicolau Maquiavel. Por incrível que pareça, nunca achei que esta expressão tivesse qualquer relação com a minha pessoa. Agora, não tenho tanta certeza.

E tudo por causa do Teste Intermédio de Física e Química A que vou ter daqui a menos de um mês (12 de fevereiro). Sim, estou em pânico. Sim, ainda não estudei nada de jeito. E não, a continuar assim não vou tirar nem um 15, quanto mais uma nota mais elevada... Acontece que esta tem sido a minha disciplina mais problemática, por assim dizer. Não é que a matéria não me interesse, nem que eu não perceba os conteúdos e como fazer os exercícios, mas parece que sempre que me aparece um enunciado à frente para resolver - puff, esvaem-se as ideias da minha cabeça. Não é hereditário, já verifiquei. Acho que é mesmo um problema meu.

Ainda assim, a Química é a parte que menos me preocupa, até porque no TI só sai uma parte da matéria, correspondente à Atmosfera (incluindo as mols, a geometria das moléculas, a nomenclatura dos compostos inorgânicos, etc.). Agora a Física... isto de quedas livres, e planos inclinados, e lançamentos horizontais, e energias mecânicas, e conservações, e sei-lá-mais-o-quê, não é, definitivamente, para mim. Vendo pelo lado positivo, pelo menos já sei para que cursos é que não devo ir na universidade - seria morte certa.

Voltando ao meu amigo Maquiavel, a minha dificuldade em entender-me com a FQA levou-me a pensar na tal expressão associada à maquiavelice, segundo a qual os nossos objetivos compensam aquilo que fazemos para lá chegar. Tudo isto porque daqui a meio ano vou ter de decidir que disciplinas específicas quero estudar no 12º ano, e para o fazer gostava de ter uma pequena ideia do curso que vou escolher na universidade. Será que vale a pena estudar muito agora para obter a compensação mais tarde? Ou será melhor levar as coisas na desportiva e quando chegar a altura logo vejo em que curso consigo entrar?

Isto das médias dá cabo de mim. Eu tento estar atenta, tento descobrir de que é que gosto mesmo muito, tento perceber o que é que quero para mim própria... e continuo sem saber nada. Há aquelas pessoas que souberam logo que queriam ser médicas; outras que queriam ser juízas; outras que queriam viver a vida e viajar pelos quatro cantos do mundo; outras que queriam ser artistas; e por aí fora. E depois estou aqui eu. A lutar para ter uma boa média, para adquirir o máximo de conhecimentos, para interagir com pessoas novas e diferentes, para ter outras experiências. E, ao mesmo tempo, descobrir-me a mim mesma.

Desde pequena que já mudei de ideias muitas vezes. A maioria dessas ideias nunca contei a ninguém, guardei sempre para mim própria. E as ideias foram-se acumulando, acumulando. A certa altura inchei tanto que era impossível não dar conta. As pessoas diziam que eu me preocupava demasiado, que precisava de relaxar e viver a minha infância. Isto com oito anos.

Agora, com dezasseis, parece que nada mudou. Tenho mais independência, ando de autocarro sozinha, tenho mais experiência em concertos. Todavia, tirando isso, as ideias continuam cá dentro. Os testes psicotécnicos já não me dizem nada de novo, tal é a quantidade de futuros diferentes que já imaginei para mim própria. Ahahaha, o que uma pessoa não faz quando se sente perdida num mundo grande, novo e, principalmente, desconhecido.

O que me vai valendo é a música. Parece que esta se tornou, e cada vez mais nos últimos tempos, um escape dos meus próprios problemas. Ou, melhor dizendo, daquilo que imagino desses problemas, uma vez que a maioria deles se relaciona com coisas que ainda não aconteceram, ou não exista aquela expressão do "segredo dos deuses". Ah pois, é que é aí mesmo que se encontra o nosso futuro. No "segredo dos deuses".

Não há hipótese. Suponho que todos os adolescentes tenham de passar por uma fase assim, duvidosa, manhosa, em que se podem transformar em alguém diferente de um dia para o outro. Ou talvez não, já que existem imensos adultos por aí que sempre viveram na descontração de terem tudo sob controlo. Talvez nunca tenham sequer pensado nestas coisas, nesta imprevisibilidade da vida.

Estou decidida a fazer os exames à primeira, para não ter de me preocupar com segundas fases ou em fazer os exames de 11º após o 12º ano, o que deve dar uma trabalheira, digo eu. Também preferia entrar logo na primeira fase da universidade, mas, quem sabe, tudo pode acontecer. Os planos que faço hoje podem não dar em nada no futuro, e tudo começa com este maldito teste intermédio. Eu bem tento permanecer positiva, e pensar que vai correr tudo bem, mas começa a tornar-se preocupante quando nem nas aulas nem em casa a estudar me sinto confiante. Este ano já me desapontei algumas vezes com algumas disciplinas, e nem consegui aproveitar decentemente aquilo que correu bem. Português foi meio-que-uma-desgraça nos testes, embora eu tivesse estado sempre atenta às obras estudadas nas aulas ("Sermão de Santo António aos Peixes" e "Frei Luís de Sousa") - estou para ver agora com "Os Maias". Matemática até correu mais ou menos, embora pudesse ter sido melhor. O mesmo para Biologia e Geologia. Física e Química nem se fala - podia ter sido pior, mas o ideal era ter uma nota bastaaaante mais elevada. Ainda assim, Filosofia e Inglês surpreenderam-me muito pela positiva - ahahaha, melhor era (quase) impossível!

E, depois, a música. Mais uma vez, a luz no meio da escuridão. Se bem que a violino as coisas pudessem ter corrido bem melhor se eu tivesse aproveitado melhor o tempo para estudar, nas restantes disciplinas correu tudo bastante acima das minhas expetativas. Descobri um grande gosto por músicas diferentes do que eu estava habituada a ouvir, aprendi imenso no que toca a técnicas de composição e a entender melhor aquilo que ouço e leio numa partitura. Ainda tenho muito que evoluir, mas comparado com aquilo que sabia há um ano atrás, diria que evolui bastante num curto período de tempo.

E agora? Como se já não bastasse ter um gosto enorme pela ciência, pela tecnologia, pela escrita, pela leitura, pela informação, pela arte, pelo cinema e pelo simples quotidiano, agora tenho de lidar com sentimentos contraditórios no que toca à música. Por um lado, aquilo que eu mais gosto de fazer, aquilo que eu mais sonho em concretizar, e, ainda assim, aquilo sobre o qual não sei quase nada - quase como um fascínio que tenho pelo conhecido e pelo (vasto, enorme) desconhecido. Por outro lado, aquilo que há pouco mais de dois anos resolvi não seguir no que toca a uma profissão e a uma carreira. E, realmente, tomar uma decisão desse tamanho neste momento seria de uma incrível irresponsabilidade. Ainda para mais, logo eu, que sempre planeei tudo até ao último milímetro. Se bem que já no 9º ano alterei os meus planos futuros drasticamente quando resolvi seguir Ciências e Tecnologias em vez de Línguas e Humanidades, nunca me ocorreu que me fosse sentir tão perdida nesta altura do campeonato.

Não me entendam mal - eu adoro o curso em que estou. Biologia continua a fascinar-me tanto quanto sempre me fascinou, e nunca deixou de ter um certo encanto para mim, especialmente quando associada à tecnologia. Quanto à Física e à Química, acho que as minhas dificuldades nestas áreas as tornaram um pouco menos atrativas para mim, embora ainda não tenha excluído seguir algo que envolva Química e Biologia, por exemplo. Todos me dizem que me vêem como alguém interessado em trabalho laboratorial e em pesquisa, e, provavelmente, não estarão muito longe da realidade.

Boa. O meu lado criativo adora as artes. O meu lado curioso adora as ciências. O meu lado sonhador adora as tecnologias. Ahhh, e o meu cerébro vota "algo com boas perspetivas para o futuro". Guardo tanto dentro de mim que sabe bem escrever tudo isto, e, se bem que não em papel, pelo menos nalgum lado. Li até que escrever as preocupações num papel antes de fazer um teste ajudava à concentração - experimentei e não obtive a nota que queria. Ora bolas, adeus método de "escrever as preocupações num papel antes de fazer um teste". Olá testes intermédios, olá exames, olá apresentações orais, olá escola, adeus vida, adeus sofrimento por antecipação. Ou, pelo menos, assim eu o desejava.

"Os fins justificam os meios". Ai Maquiavel, Maquiavel, o que foste tu fazer... vale a pena "sofrer" agora para tomar a decisão correta? Vale a pena pensar tanto em algo tão imprevisível? Tudo depende do que eu fizer agora, do que eu decidir agora. E, neste momento, eu decido que não quero pensar mais no assunto. Vou só ali estudar Física e Química e depois falamos.

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