Análise inicial: "Os Maias" de Eça de Queirós

22/09/2013 2 Maçãs
Carlos da Maia e Maria Eduarda na adaptação televisiva da Globo e da SIC
Não há cá dúvidas para ninguém - as aulas, efetivamente, já começaram. Nada como uma semaninha de aulas, e atenção que algumas delas ainda foram só apresentações, para me aperceber de como vou mesmo ter de estudar bastante este ano, se quero ter bons resultados. Só de pensar nos testes intermédios e nos exames nacionais que ainda vou ter de fazer, já fico com arrepios!

Vá lá que já tenho algumas coisas despachadinhas, por assim dizer. Tenho alguns apontamentos do ano passado que me vão ser muito úteis, tenho imensos exercícios para fazer e algumas resoluções que também guardei da matéria passada e... já li "Os Maias", o que por si só já me alivia bastante. 

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Pequena análise sob o meu ponto de vista


Sim, sim, eu sei... todos os professores avisam para lermos os Maias nas férias de verão, mas nem sempre há disposição para tal ou, até mesmo, ambiente, qu'isto de uma pessoa estar de férias e se divertir não costuma envolver leituras de calhamaços. Mas... eu sou eu, não é verdade? E, portanto, gastei umas tardes/noites de uma semana das minhas férias para ler o tão conhecido livro. 

Vou-vos ser sincera - tinha ouvido falar tão mal e tão bem, ao mesmo tempo, de como era tão chato e tão interessante, e outras opiniões que tais, que nem sabia como é que havia de reagir quando o lesse. Confesso que, ao ultrapassar a marca das 100 páginas, me interroguei se não estaria a ler um resumo em vez do livro original.  Então, aonde é que estavam aquelas descrições sem fim, que tanta chatice deram aos alunos da nossa geração, da geração passada e das outras ainda mais para trás? A verdade é que nem me apercebi da "chatice" de tais descrições - voltei para o início do livro e, realmente, elas lá estavam, mas ao relê-las continuei sem perceber em que aspeto é que se poderiam considerar "chatas" ou "desinteressantes". Aquilo que eu realmente achei foi que a linguagem do Eça de Queirós era tão sublime, tão rica em vocábulos tipicamente portugueses e adequados à época, que o leitor facilmente se abstraía do seu "aborrecimento" e podia apreciar a riqueza de tamanha introdução a uma história que continua a conquistar adeptos desde o século XIX até aquele em que nós nos encontramos, dois séculos depois.

Quem me ouvir dizer isto ainda pensa que estou a exagerar, mas é verdade, verdadinha, que não me aborreci a ler o livro nem no início, nem no meio, nem no fim. Gostei bastante, sim, principalmente porque já conhecia a história (outro aspeto que eu pensava que era geral e afinal parece que não) e não podia esperar até que o Carlos da Maia falasse finalmente com a Maria Eduarda. Aguardei ansiosamente que esse momento chegasse - acho que cheguei a ficar a ler até à meia-noite e meia só para ver se era dessa vez - e imaginei que engenhocas teria o Eça arranjado para terminar tamanha obra em que, já se sabia, o final não seria o do típico "conto de fadas", por assim dizer, em relação ao casalinho principal.

E as palhaçadas do Ega? E as parvoíces daquele traste do Dâmaso? E as poesias do Alencar? E a humanidade do Afonso da Maia? E a imprevisível Maria Monforte?

Se há coisa que não falta aos Maias, é a capacidade de suscitar a curiosidade. No meio de tanta tragédia, no meio de tanto amor, no meio de tanta traição... ainda há tempo para falar de política (uma das partes que mais dores de cabeça me deu para tentar entender tudinho) e da situação do país, aquela "intemporalidade" da qual toda a gente gosta de falar para dizer que os Maias podiam ser escritos agora que nada teria mudado. 

Estou ansiosa para que comecemos a estudar este livro na escola, mas como tal só vai acontecer lá para meados do 2º Período, estou a ver que ainda vou ter muito que penar com o "Sermão de Santo António aos Peixes" e com o "Frei Luís de Sousa"...

Assim, e tendo em conta que a minha opinião é um bocadinho suspeita porque adorei o livro, deixo aqui alguns pontos positivos e negativos que alguém que ainda não leu os Maias talvez possa encontrar.

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Em resumo


Aspetos positivos:

  • Personagens variadas e interessantes (ex. Maria Monforte, Alencar, Dâmaso, Ega)
  • Ação passada em três pontos no tempo (evolução da família Maia)
  • Desenvolvimento das relações entre as personagens (ex. Ega e Raquel)
  • Momentos engraçados e divertidos (ex. quando o Ega obriga o Dâmaso a assinar a carta)

Aspetos negativos (como quem diz, pois para mim só tornam o livro ainda mais interessante):

  • Tamanho (pode assustar os leitores menos ávidos à leitura dos clássicos)
  • Linguagem (pode tornar-se um pouco difícil de compreender)
  • Grande suspense em determinados momentos (ex. até o Carlos da Maia falar com a Maria Eduarda)
  • Descrições iniciais
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Espero que esta minha pequena "análise" aos Maias vos leve a ler o livro (que até podem ler online), até porque só quem nunca leu é que consegue achar que o livro não tem interesse nenhum. Para aqueles que o vão estudar futuramente, como eu, acredito que ler o livro só ajuda a aumentar o interesse pelas aulas que se avizinham. 

Até à próxima e boas leituras!

2 Maçãs

  1. Olá Madá! Sim, só acabei de ler a tua "pequena" análise neste momento e tenho a dizer-te que, acho que quem ler isto já não tem de ler o livro, porque está aqui tudo. AHAHAH! Esquece, foi uma brincadeira parva! Continuando, há algumas coisa a que eu ainda não cheguei na minha leitura mas espero acabá-la muito brevemente, até porque ainda tenho de ler o livro da apresentação oral não é verdade???
    Beijos, M.

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    1. Olá M!

      Não te esqueças de me contar o que achaste dos Maias assim que acabares de ler, sua marota... :)

      Ah, pois, e eu ainda nem escolhi o livro da apresentação oral, vê lá tu como anda a minha cabecinha de alho-chocho.

      Beijinhos, M²

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Olá! Obrigada pelo teu comentário no Pomarão. :)