E foi assim o 10º Estágio Internacional de Orquestra

26/08/2013 0 Maçãs
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Já passou quase um mês desde que acabou o 10º Estágio Internacional de Orquestra, ou, por outras palavras, a minha segunda oportunidade de conviver com outras pessoas do ramo da música e de aprender mais sobre esta arte que, pelo menos na minha singela opinião, tão mal tratada tem sido nestes últimos tempos. 

Digo segunda oportunidade porque, como com certeza alguns de vocês se lembram, já participei no estágio do ano passado, o 9º Estágio Internacional de Orquestra, em que tocámos obras de Debussy e de Berlioz. Este ano, contra todas as expetativas, o reportório escolhido foi o seguinte:
  1. Serenade for Tenor, Horn and Strings, Op. 31 (1943) - Benjamin Britten (1913-1976)
  2. Trauermusik (1936) - Paul Hindemith (1895-1963)
  3. Deux Marches et un Intermède (1937) - Francis Poulenc (1899-1963)
  4. Cinq Pièces Pour Cordes Op. 44, N.º 4 (1927) - Paul Hindemith (1895-1963)
  5. Siegfried-Idyll, WWV 103 (1870) - Richard Wagner (1813-1883)

Confesso que inicialmente não estava muito animada em relação a algumas destas peças, nem que seja pelas suas sonoridades mais, digamos, estranhas ao ouvido... experimentem ouvir a quinta peça das "Cinq Pièces Pour Cordes" de Hindemith e perceberão o que quero dizer. 

Além desse meu "probleminha" de interesse no reportório, logo no primeiro dia de estágio encontrei a minha primeira grande dificuldade - conseguir entrar no estágio. Sim, já que após a realização das provas de admissão, apanhei, juntamente com vários colegas e amigos meus, um sustaço de todo o tamanho quando não fomos admitidos no estágio. Ahahaha, riam agora que na altura não teve piada nenhuma. Só foram chamadas 6 pessoas e nós, os restantes, ficámos ali a olhar para o ar até nos informarem de que iria ser criada uma outra orquestra que tocaria um reportório mais acessível, que acabou por ser uma suite de Holst.

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Ahhhhh, mas esta história não acabou assim... é que cerca de dez minutos depois de ser feita a "chamada", ou seja, a distribuição dos participantes pelas duas orquestras, fui chamada para entrar na orquestra principal, por assim dizer. Aparentemente, o meu nome teria sido indicado para a lista dos "admitidos", todavia, por lapso, não foi anunciado aquando da leitura em voz alta dos nomes. Imaginem a minha felicidade nesse momento! Foi, contudo, com grande pena minha que vi os restantes "não admitidos" ficarem bastante abalados, e com razão, durante o resto do estágio. Ainda bem que muitos deles ainda conseguiram encontrar a força e a coragem necessárias para continuarem no estágio a trabalhar no seu reportório e a ouvirem os nossos ensaios, e, a eles, dou os meus sinceros parabéns. Acreditem que durante sensivelmente dez minutos vivi a vossa dor e compartilhei do vosso sentimento de injustiça - terem conseguido continuar só mostra o quão grande é o vosso entusiasmo no que toca à música. É ISSO TUDO, MALTA! 

Agora que já consegui explicar o início atribulado deste estágio, posso passar a falar do estágio em si. Tal como já havia sucedido o ano passado, tivemos direito a ensaios de naipe (no meu caso, segundos violinos), a ensaios só com os violinos, a ensaios de cordas e a ensaios de tutti. Os primeiros três dias (quinta-feira, sexta-feira e sábado) decorreram ainda com muito pouco pessoal, mas a partir de segunda-feira as coisas já se começaram a compor. Revi pessoal do ano passado, especialmente imensos maestros franceses, e conheci também novas pessoas. Aqui vai uma menção honrosa para a Esposende, que foi a primeira pessoa que vi assim que cheguei ao Orfeão na primeira quinta-feira e uma das poucas que teve direito a uma alcunha que lhe assentasse que nem uma luva. 

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Algo que posso salientar de bom deste ano foi que conheci, um bocadinho mais de perto, alguns violinistas. Para mim tal acontecimento é sempre especial, pois pode não acontecer durante muito mais tempo e é bom conhecer violinistas que não estejam de acordo com aquele estereótipo manhoso que nos arranjaram - egoístas e egocêntricos. Assim, parece-me ser esta uma boa oportunidade para referenciar o nosso concertino deste ano, o Ludovic, que teve sempre uma palavra amigável para toda a gente e se mostrou um bom líder de orquestra.

Outro dos destaques deste ano vai para a camaradagem das horas de almoço, para o convívio que se desenvolveu em pouco mais de uma semana e para o grande trabalho que todos nós, músicos e maestros,  fizemos para conseguir montar três concertos que até nem correram assim tão mal, ahahaha! Atuámos na Capela de São Pedro de Moel, nas Capelas Imperfeitas do Mosteiro da Batalha e na Igreja de São Francisco e, a quem não foi, só tenho a dizer isto: nem sabem o que perderam. 

No último dia, domingo, tivemos direito a um jantar-convívio no próprio Orfeão, onde tirámos muitas fotografias e nos despedimos de muita gente. Foi um prazer poder trabalhar com toda esta malta, em especial com todos os talentos destes segundos violinos (vá, vá, melhor naipe da orquestra, então!) - Ângela, a rosa aqui do lado é só para ti! - e queria agradecer-vos por terem tornado estes dez dias em algo tão especial e que espero guardar comigo durante muito tempo.

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A todos, um enorme "até para o ano"! 

E agora, pausa para refletir

05/08/2013 2 Maçãs

Às vezes, sinto vontade de escrever. De fazer rabiscos numa folha de papel. De tentar analisar um poema de Camões e perceber aquilo tudinho à primeira (ahahahaha, deixem-me rir!). De "filosofar" sobre a pressão no mesófilo, o xilema, o floema, a fotossíntese - qualquer coisa que me tenha fascinado e que tenha perdido horas a estudar e a tentar compreender. De escrever a configuração eletrónica de um determinado elemento químico (mas só até ao aparecimento das orbitais d, porque a partir daí já não sei fazer de cor), só para provar a mim mesma que ainda me lembro daquilo que aprendi durante este ano letivo

Lembro-me das fórmulas que aprendi em Matemática, dos "(x-a)²+(y-b)²=r²" em que (a,b) eram as coordenadas do centro da circunferência, dos diferentes tipos de parábolas, dos métodos todos para descobrir as coordenadas do vértice de uma parábola... Das teorias fantabulásticas do Kant e do Stuart Mill ou das diferenças entre moral e ética. Dos diferentes modos verbais que podemos utilizar em Inglês para nos referirmos ao futuro. De como segurar corretamente uma raquete de Badminton
...

Sim, já chegaram os meus novos manuais escolares para o 11º ano