Carsoscópio - ou a história de como perder uns quilinhos

12/05/2013 4 Maçãs
© 2013 M
(nós, o 10ºC! - eu sei que esta não é a nossa melhor foto, mas era a única em que se via bem o Carsoscópio)
ATENÇÃO: O título deste post é meramente especulativo, pois não há qualquer garantia de que através deste método se percam, efetivamente, alguns quilinhos. Obrigada pela vossa atenção.

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Olá a todos!

Tal como já vos tinha dito aqui há uns dias atrás, no passado dia 17 de abril fui, juntamente com a minha turma e as restantes turmas do 10º ano com a disciplina de Biologia e Geologia da minha escola, a uma visita de estudo ao Centro de Ciência Viva do Alviela - Carsoscópio.

Mais uma vez, tendo em conta o caráter mais ou menos pessoal do meu pseudo-relatório, vou optar por escrever os nomes sob a forma de siglas - espero que sejam percetíveis às pessoas a quem assim supostamente o deviam ser. 

Segundo as informações que fui escrevinhando num bloco-vermelho-que-tem-mais-anos-de-experiência-em-visitas-de-estudo-do-que-sei-lá-o-quê, a nossa partida deu-se às 9h. No nosso autocarro ia parte da nossa turma (10ºC), pois 5 em 28 dos nossos iam noutro autocarro com o 10ºB e o 10ºD. Eu tive o, hummmmm, prazer, cof cof cof, de ir com a CJ ao meu lado, com a CS e a MG nos bancos do lado esquerdo do autocarro, com a AF e o V atrás de mim e com a PD no banco atrás, atrás de mim, no seu estatuto de "alone", como ela própria referiu.
- E eu vou alone! - PD
A viagem de autocarro até foi divertida, devido às nossas constantes tentativas de arranjarmos uma música que todos soubéssemos cantar, desde o Rui Veloso à Taylor Swift - foi uma festa!  Lá tirámos umas fotos meio doidas que acabaram, inevitavelmente, por ir parar ao Facebook e, a certa altura, até isto aconteceu:
- Sêtora de Biologia preferida! [risos] Tenho uma foto sua! - CS
Chegámos a Alviela às 9h50, sendo que, após sucessivas tentativas falhadas de tirarmos uma foto de grupo em condições, lá começámos a visita às 10h20.

Iniciámos a visita ao pararmos em frente por cima (estávamos numa ponte) da ribeira de Amiais, na nascente do rio Alviela. A nossa guia - bastante simpática, por sinal - informou-nos de que a esta zona se chama Olhos d'Água, pois a água sai da escarpa (nascente temporária) e vai desaguar no rio Alviela. Trata-se também de uma fronteira geológica, que é um limite entre rochas diferentes, neste caso particular, entre formações geológicas com 400 milhões de anos (arenitos do período Terciário) e formações geológicas com 160 milhões de anos (calcários do período Jurássico Médio). Ah, já agora, esta zona integra-se na bacia terciária do Tejo

Mas, então, como é que é possível que a água saia da escarpa? Acontece que a água da chuva (de caráter ácido) chega ao Planalto de Santo António e entra nas grutas e galerias, infiltrando-se no calcário (que é uma rocha porosa) e chegando à nascente permanente. Existe então uma falha inversa, a que se chama falha de cavalgamento, que permite que o lençol freático suba e consiga sair pela escarpa. O engraçado é que a quantidade de água foi sempre tão grande ao longo dos anos que, entre 1880 e 1980, aproximadamente, era precisamente esta água que abastecia a cidade de Lisboa (companhia EPAL)! 

© 2013 MS
À medida que admirávamos toda a paisagem, iamos caminhando e contornando a escarpa de modo a podermos observar todo o caminho pedestre dos Olhos d'Água, daí que teria dado jeito que a temperatura estivesse um pooouco mais baixa e, quem sabe, um ventinho fresquinho para nos bater na cara. Seja como for, nada disso aconteceu e tivemos de subir e descer por caminhos onde só nos podíamos apoiar nas rochas e rezar para não cairmos dali para baixo - ehehehe, até tinha tido piada se alguém tivesse caído à água, não tinha?

Bom, continuando... são notórias as diferenças que existem entre os dois lados da falha. De um lado, o maciço calcário é montanhoso e tem vegetação arbórea, enquanto que do outro lado o relevo é plano e a vegetação é arbustiva.

É também nesta localização que se pode observar um sistema de perda e ressurgência de uma paisagem cársica, pois a água da ribeira de Amiais desaparece no interior das rochas (perda), através das tais mais de 1500 grutas, e reaparece após percorrer vários metros de distância, no chamado "poço escuro" (ressurgência).

Foi-nos também possível observar o vale encaixado da ribeira de Amiais, formado devido ao desgaste do calcário, provocado pela água. A Lapa da Canada, que se trata de uma gruta horizontal onde os morcegos muito gostam de viver, tratasse então do único centro de perda da ribeira de Amiais (aquela conversa científica que referi na parágrafo anterior), gruta essa que, exposta aos agentes erosivos, foi usada como abrigo pelo homem das cavernas e tem uma estrutura, lá dentro, a que se chama "mesa" - ui, imagino porquê! A propósito, as rochas da gruta têm uma forma elíptica e redonda.

Em Alviela existe também uma janela fluvio-cársica, assim chamada pois trata-se de uma grande abertura, uma saída de extravasamento (janela), donde se observa a água (flúvio) e as formações calcárias (cársica). Esta janela formou-se por abatimento do teto da gruta, o qual sofreu uma dissolução.

Como eu estava a dizer, a Lapa da Canada funciona como uma maternidade para os morcegos, sendo que lá existe uma colónia com 5 mil espécimes de 12 espécies diferentes, todos fêmeas, e que no início do verão (maio/junho) se vão embora. Ora então, mas porquê que estes animaizinhos só saem à noite? 
- É só vida loca! [risos]- AF
Ahahaha, não, AF, acho que não é por isso... É simplesmente porque de noite existem mais insetos dos quais se podem alimentar, porque assim se protegem dos predadores e também porque a sua membrana alar seca com o calor...
- Ooooooohhhhhh! - MP [a fazer um barulhinho triste que toda a gente ouviu e que não tinha nada a ver com a história dos morcegos]
... e depois os pobrezinhos não conseguem voar.  E, já agora, sabem porquê que os morcegos dormem no teto? Hummmm? É muito simples - assim ficam mais protegidos do vento, da chuva e dos predadores e conseguem levantar voo mais facilmente.

No último terço do vale encaixado, podemos também observar o canhão flúvio-cársico, que separa a água da nascente da água da ribeira (esta última considerada poluída).

Após este grande passeio ao ar livre durante a manhã, que acabou às 11h40, entrámos finalmente no Carsoscópio, às 11h50. Espreitámos a Sala do Quiroptário, onde aprendemos, entre outras coisas, que:
    - no Antigo Egipto se acreditava que o sangue de morcego curava doenças oftálmicas;
   - os morcegos eram considerados como fornecedores de saúde, riqueza, felicidade, longevidade e morte pacífica, segundo consta num amuleto chinês;
   - das mais de 1200 espécies de morcegos existentes no mundo, apenas 27 existem em Portugal;
   - se eu fosse um morcego insetívoro alimentar-me-ia de 27,3 kg de comida todas as noites (aproximadamente metade do nosso peso). 

Visitámos, de seguida, a Sala do Geódromo, onde entrámos numa plataforma de realidade virtual em 3D, onde nos sentámos muito quietinhos numas cadeirinhas e aproveitámos uma viagem até 175 milhões de anos atrás, sendo que pudemos apreciar a evolução da paisagem do maciço calcário estremenho.

E... chegou a hora do almoço! Ah pois, nem que seja porque já estávamos todos esfomeados e aproveitámos, mais uma vez, para tirarmos umas quantas fotos embaraçosas (eu de óculos de sol, por exemplo...) e para, quem quisesse, tomar uma banhoca na praia fluvial muito agradável que ali estava à nossa espera. Se nós tivessemos conhecimento de que o tempo ia estar tão bom, tinhamos levado o biquini, evidentemente! 

Passada a hora do almoço, lá para as 14h15 começámos uma pequena sessão onde nos armámos em cientistas de verdade, formámos grupo de trabalho e nos pusemos a tentar descobrir porquê que a água do rio Alviela é doce e a água do mar é salgada... Chegámos à conclusão de que a água fica salgada ao chegar ao mar porque já ocorreu a erosão das rochas, sendo que as argilas que ficam em suspensão na água do rio vão sofrer uma aceleração das suas partículas por causa da salinidade, ficando mais pesadas devido às suas ligações com os iões NaCl e depositando-se.

E foi assim, às 15h10, que a nossa visita ao Centro Ciência Viva do Alviela - Carsoscópio terminou. Eu ainda aproveitei para andar um bocadinho de baloiço antes de nos irmos embora, às 15h55, e para ouvir umas musiquinhas antes da chegada a Leiria, às 16h50.

Em resumo, gostei bastante da visita, acho que aprofundei o meu conhecimento sobre as paisagens cársicas, os morcegos, as rochas sedimentares (quimiogénicas, biogénicas e detríticas) e, tal como a minha DT tinha vaticinado, ainda aproveitei para socializar um bocadinho com a minha turma.

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Espero que tenham gostado deste meu relato e, muito embora tenha a certezinha quase absoluta de que ninguém leu o post todo, espero ter despertado o vosso interesse para, quem sabe, uma futura visita ao Carsoscópio.

Obrigada também aos meus colegas que me deixaram publicar aqui algumas das fotografias que tiraram na visita - M e MS. 

Alguns links úteis para quem quiser saber mais informações:

Até à próxima!

Vou só deixar isto aqui...

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... e um dia destes logo falo mais sobre isto. Uma dica: quem sabe não aparece alguém neste programa que se parece tal e qual como eu, a tocar exatamente o mesmo instrumento que eu toco. 

Arre, custou!

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E é isso, malta, voltei! Bom, para ser sincera, eu nunca sai daqui, só que a minha preguiça e o meu cansaço têm-se aliado um ao outro numa espécie de conspiração para me prevenir de vir aqui para o Pomarão distrair-me e não estudar. Hummmmpf!

Seja como for, aqui estou eu. Então... vamos lá ver o que é que tem acontecido:

1. Eu e a visita de estudo ao Centro Ciência Viva do Alviela - Carsoscópio (ver aqui)

2. Eu e o fim da 2ª ronda de testes do 3º Período! (ver aqui)

3. Eu na televisão (ver aqui - parte 1, ver aqui - parte 2)

4. Eu viciada nos Imagine Dragons (ver aqui)

E pronto, acho que é isso que tem acontecido ultimamente... Ahahahaha, é tão bom estar de volta ao meu blogzinho!