E foi assim o 9º Estágio Internacional de Orquestra

31/07/2012 8 Maçãs
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AVISO: Este é um post bastante grande, mas agradecia que lessem até ao fim... obrigada!

Tudo começou há vários meses, quando surgiram os primeiros cartazes a anunciar que as inscrições para o estágio já se encontravam abertas, e as minhas amigas, que já tinham ido a alguns estágios anteriores, me disseram que também me fazia bem ir este ano e experimentar, a ver se gostava. E então lá fui eu ler o regulamento todo, perguntei a várias pessoas para saber se estaria pronta para aguentar um reportório tão difícil e... decidi não ir. 

Eh pá, assustei-me. A partir do momento em que as palavras "Sinfonia Fantástica" surgiram à minha frente, entrei em pânico. Que era muito difícil, que Berlioz era demasiado para mim, que Debussy também não é fácil e que mais valia ir só no próximo ano.

Como é óbvio, a coisa não acabou por aqui. Tanto pensei, tanto me arrependi depois do prazo das inscrições ter terminado, que resolvi ir ver se ainda havia vaga para mais um violino. E não é que havia? Nem pensei mais no assunto, inscrevi-me logo e pronto. 

Como me inscrevi em cima da hora, não tive muito tempo para estudar o reportório, por isso fui para lá quase sem preparação nenhuma (além de que aquelas semi-colcheias todas eram de meter medo ao susto!). Quando cheguei ao Orfeão no dia 19, estava convencida de que ia ter de prestar uma prova de admissão para conseguir entrar no estágio... ahahaha, imaginem qual não foi a minha surpresa quando descobri que não ia haver prova nenhuma, já que dos supostos 24 violinos que seriam aceites, só 15 alunos é que se inscreveram, daí que tenham aceitado logo toda a gente sem pestanejar! 

Só por causa disso, o estágio começou logo bem. Descobri rapidamente que estava nos 2º violinos juntamente com as minhas amigas todas (iupi!), por isso fomos logo ter ensaio de naipe com um dos alunos de Direção de Orquestra.

Ahhhhhh, é que eu esqueci-me de referir! O estágio divide-se em duas partes: no estágio de Orquestra propriamente dito e no estágio de Direção de Orquestra. Basicamente, músicos para um lado e maestros para outro. E não é que os maestros eram quase todos franceses? Mais tarde descobri que existiam alguns portugueses, uma espanhola e uma grega, mas de resto era tudo de nacionalidade francesa! (nunca me senti mais feliz por ter tido três anos de Francês, ehehehe!)

Voltando atrás... ah sim, lá fomos então ensaiar com o Luc, um dos maestros (vá, adivinhem!) franceses! Era violinista e também bastante simpático, embora fosse um bocadinho difícil comunicar com ele no início, tendo em conta a miscelânea de línguas que para ali ia (português, francês e um inglês aldrabado). 

E agora... outra adenda: os maestros, mesmo estando inscritos no estágio de Direção de Orquestra, podem integrar a orquestra propriamente dita. Aliás, até mesmo este estágio se divide nos Participantes e nos Ouvintes, ou seja, há maestros que podem optar por assistir às aulas de direção sem interagir diretamente com a orquestra no papel de maestros. (espero ter explicado bem, ufa!)

Sendo assim, um dos poucos maestros portugueses, o Paulo, veio integrar o nosso naipe dos 2º Violinos, só mesmo para estragar a dinâmica de "só raparigas", hem? Estou a brincar, claro!

Começámos por ler o "Prelúdio à sesta de um fauno" de Debussy, que, embora seja uma peça muito agradável de ouvir, não é nada fácil de tocar, tendo em conta o seu carácter e a forma como deve ser tocada. E foi assim que passou a manhã, que passou a hora de almoço e que passou a tarde, sempre num ambiente muito agradável e divertido.

No dia seguinte, sexta-feira, fizemos novamente o mesmo trabalho de naipe com o Luc durante todo o dia, tal como acabou por acontecer no sábado de manhã. Foi então nessa tarde de sábado que fomos ensaiar com os 1º Violinos, a sua grande maioria alunos do Conservatório de Braga e até alguns ex-alunos do Orfeão, até aproximadamente meio da tarde.

Foi então que tudo mudou, a partir do momento em que, ainda nesse sábado, tivemos um ensaio com todas as Cordas. E também quando, na segunda-feira (se não me falta a memória), tivemos o primeiro ensaio de tutti (ou seja, com toda a orquestra sinfónica). Foi a minha primeira vez a tocar numa orquestra daquela dimensão, com direito a Cordas, Sopros e Percussão. Acho que até saltei da cadeira quando começámos a tocar a "Sinfonia Fantástica" de Berlioz, tal eram as vibrações que para ali iam!

Foi... mesmo... espetacular. Mesmo. Fiquei sem palavras, tanto no sábado como na segunda-feira, tal era a minha emoção. Mesmo. Tipo. Espetacular.

E também foi assim na terça, na quarta e na quinta-feira, com ensaios de tutti durante todo o dia, de tal maneira que eu à noite já nem os braços conseguia mexer... ui, ui! 

Chegou então a sexta-feira, o dia do primeiro concerto. O nosso naipe esteve a ensaiar de manhã com a nossa nova chefe, uma rapariga francesa (quem diria, hem?) que tinha chegado há pouco tempo e que ainda não tinha treinado muito connosco. Reunimo-nos também com os 1º Violinos e passámos assim toda a manhã, até que chegou a hora de apanharmos o autocarro para os Parceiros, onde seria o concerto.

Depois de esperarmos pela nossa vez (não cabíamos todos de uma vez no autocarro), lá chegámos então à Igreja dos Parceiros, onde nos instalámos durante a tarde. Ensaiámos todo o reportório, desde o Prelúdio até à Sinfonia Fantástica, passando também pelos Noturnos de Debussy. À noite lá tratámos de nos vestir a rigor e tivemos direito a um jantar oferecido pela Junta de Freguesia, se não me engano, o que foi muito do nosso agrado, como é óbvio! 

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E... chegou a hora do concerto, que estava marcado para as 21:30. Felizmente correu tudo bem, não nos enganámos assim tanto (ahahaha!) e estava um bom ambiente na igreja, o que ajudou bastante. Cheguei a casa lá para a uma da manhã, completamente estafada, até ao momento em que me lembrei de que ainda tinha dois concertos pela frente e era melhor descansar.

Acordei no sábado sem vontade nenhuma de ir tocar outra vez, mas lá fui eu, desta vez num autocarro da rodoviária, para Fátima, juntamente com toda a malta das cordas. Nunca tinha tocado num auditório, daí que tenha sido um pouco estranho para mim entrar no palco do Centro Pastoral Paulo VI, principalmente quando descobri que tinhamos direito a camarins privativos! Que chique, hem? 

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Ensaiámos durante a tarde, mais uma vez, e tocámos o concerto às 21:30, embora deva referir que se encontrava muito menos gente neste concerto, para nosso desgosto... Afinal, a igreja tinha estado cheia, e o auditório estava quase completamente vazio... hum, hum... e a entrada era gratuita, por isso não digam que foi a crise...

Enfim, mais um concerto pela noite fora, mais uma manhã perdida de domingo. E já exausta, lá fui eu para o Mosteiro da Batalha, para o que se revelou ser um concerto muito divertido para mim. Em primeiro lugar, já havia gente a assistir ao nosso ensaio, o que não deixou de ser um pouco estranho e aborrecido... Depois, estávamos todos aterrados à espera que nos caísse um cócózito de pombo na cabeça, o que, para nosso descanso, acabou por não acontecer. E, só para terminar em grande, existe uma certa desvantagem em tocar nas Capelas Incompletas, ou por outras palavras, num espaço aberto.

Hum, hum, acho que adivinharam. Há vento! E, como manda a lei, numa orquestra existem uns papelinhos chamados partituras que são essenciais para conseguirmos tocar decentemente (a não ser que se decore aquilo tudo, mas... haja pachorra!). Resultado: a única solução é usar molas para prender as partituras à estante.

Sim, é isso. Passei o concerto inteiro a levantar molas, a passar papéis, a levantar mais molas e a ver algumas partituras a voarem pelo ar. Não deixou de ser engraçado, mas acho que deu para perceber a minha falta de jeito no que toca à utilização de molas... 

E foi assim que terminou o último concerto deste estágio. Era suposto ter começado às 18:00, mas foi adiado em cima da hora para as 18:30 para termos tempo de nos vestir. Eu ainda brinquei um bocadinho com a situação, dizendo que, bem vistas as coisas, acabámos por ir ao Mosteiro da Batalha de borla, ehehehe!

No final do concerto dirigimo-nos ao restaurante D. Duarte, onde comemos todos um grande buffet e onde fizemos então a cerimónia de entrega dos diplomas de participação! Fartámo-nos todos de gritar, de bater palmas e de tirar fotografias para a posteridade, claro! Despedimo-nos dos franceses, dos bracarenses, do Maestro Béreau e até de colegas que já não víamos há muito, com não-sei-quantas lágrimas pelo meio, como sempre...

Confesso que não estava à espera que um estágio fosse assim. No bom sentido, porque foi muito melhor do que tudo aquilo que eu tinha imaginado que seria! É algo inesquecível, e acho que todos os músicos deviam ter a oportunidade de participar em algo tão grande como este estágio foi. 

Ahhh, por falar nisso, aqui ficam algumas das frases e expressões mais marcantes destes dez dias que passámos juntos:
- Shut the f*** up! (risos)
- Anda, c******! (risos)
- Courage, ma petite, courage!
- Éstãoboa, éstãoboa...
- Sus-sus-te-ni-dô... arrrgh, si dièse! 
- Merci! Obrigado!
Existem umas quantas fotografias no Facebook para provar como todos nós nos divertimos imenso, e acho que até fica bem colocar aqui a nossa foto de grupo!

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Até para o ano, malta! 

P.S. Este post é dedicado a todas as pessoas que me acompanharam neste estágio, e que me deram a força e a coragem para continuar e para nunca desistir face às adversidades. Obrigada a todos, em especial às minhas amigas e com votos de muitas felicidades nessas terras lisboetas à nova caloira universitária, a Amanda!

8 Maçãs

  1. Obrigada minha pequena Madalena por me fazeres chorar mais uma vez :)
    Tu e todas as nossas colegas da LFB sabem que não vos esquecerei :) E um grande obrigada a todas por me terem feito crescer com música e pessoa <3
    Estarão sempre no meu coração <3

    Beijinhos
    Amanda Verdasca

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    1. Aiiii, que agora ainda choro eu... :P
      Amanda, queria só acrescentar que o sentimento é mútuo, e que poderás sempre contar connosco para o que for preciso. Desejo-te as melhores felicidades! <3
      Muitos beijinhos, Madalena

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  2. Olá! Para ser sincera, tenho andado entretida escrever uma história e gostava de a publicar apesar de ainda não estar terminada... Só que queria ter tipo uma parte do blog específica só para ela onde desse para ir vendo os avanços da história... Percebes o que eu estou a imaginar? Sabes como posso fazê lo?

    E depois falas de mim na escrita... Nem chego aos teus calcanhares... Adorei o que puseste sobre o estágio! Força Amanda estou aqui contigo!!

    Beijinhos

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    1. Hummmm, estou a perceber... só uma pergunta: as partes da história podem aparecer na página inicial? É que se puderem, é muito fácil... :D
      Bom, se não quiseres que apareçam, não estou bem a ver como é que podes fazer isso, mas tenho a certeza de que conseguimos arranjar uma solução! :P

      Ahahahaha, não exageres... fico contente por teres gostado, afinal, esta é uma experiência da qual não me quero esquecer tão cedo!

      Beijinhos <3

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  3. Eu gostava que fosse uma coisa do género, abres o blog e tens logo na página inicial uma espécie de link a dizer tipo "novidade" obviamente com alguma referencia ao titulo do capitulo da historia. E depois clicava se nessa espécie de link e ia dar à página onde tenho a história... Achas que dá para fazer algo assim?

    E não estou a exagerar!

    Beijinhos

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    1. Ahhhhhhh, ok... Sim, dá para fazer!
      Podes até criar uma imagem ao teu gosto, na forma de retângulo, de maneira a que chame a atenção das pessoas. Depois, basta transformar essa imagem num link para a página onde vão estar todas as partes constituintes da história. :D

      Ohhhh, tão querida! <3

      Beijinhos, Madalena

      P.S. Se quiseres podes mandar-me um mail (o endereço está no meu perfil, acho eu) com todas as tuas dúvidas... :P

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  4. Bem bem Madalena. Adorei ler o relato so re o estágiono teu PDV. Vai-me servir bem para os relatórios xD tou a brincar. O estágio foi uma experiência fantástica mesmo que nos 1os dois concertos o Berlioz era à velocidade da luz (queria vê-los no nosso lugar). Esperemos que para o ano haja mais :)
    Beijinhos, Maryana L.

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    1. Ahahahaha, ainda bem que gostaste! :D
      Realmente, a velocidade do Berlioz era aterradora! E o Fêtes do Debussy? Aquilo é que foi acelerar! :)
      Cá ficaremos à espera do próximo estágio, então!
      Beijinhos, Madalena

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Olá! Obrigada pelo teu comentário no Pomarão. :)