Como sobreviver a uma fila de almoço

16/11/2011 3 Maçãs

Digamos que, hipoteticamente, se encontram numa fila de almoço numa escola qualquer-barulhenta-suja-blá-blá-blá. Tal como acontece em todas as filas de almoço, há grupinhos de alunos na conversa, outros a darem grandes gargalhadas, uns a contar anedotas, mas, enfim, tudo isso é normal. Agora imaginem que, estando vocês sossegadinhos no vosso cantinho, levam com um casaco na cabeça. Sim, é isso mesmo, um casaco todo enrolado e atado para ficar mais pesado e para ser atirado aos alunos que por ali estivessem. Vocês, surpreendidos, olham para o lado e, qual não é o vosso espanto, quanto se apercebem de um outro grupinho fora da fila de almoço a atirar os ditos cujos casacos dobrados para o meio da fila. E quando eu digo atirar, é mesmo atirar! Bom, pelo menos parece que aprenderam bem a fazer o remate no andebol, o que já não é nada mau. Mas enfim, isso não vem agora ao caso.

Pronto, já estão a ver a cena toda, não estão? Errado! Ora experimentem lá olhar para o casaco aberto ao vosso lado para verem o que lá está dentro... já adivinharam? Cascas e cascas, gomos e gomos de laranja, ou não fosse essa a sobremesa do dia. Olhem agora para o chão da escola e em vosso redor, e irão aperceber-se dos caixotes do lixo virados ao contrário e das pobres laranjas mais do que decapitadas espalhadas por todo o lado. E pronto, pensam vocês, hoje entretiveram-se a fazer este lindo serviço, e agora acaba tudo.

Errado! Tal como da última vez, experimentem olhar de novo para o tal grupinho à parte... sim, é que acabaram de desistir da ideia dos casacos-lixeira voadores para os gomos de laranja planadores! E se acham que levar com um casaco cheio de lixo na cabeça já é suficiente mau, experimentem ter de se esconder numa fila indiana encostada à parede para não levarem com uma laranja (se é que aquilo ainda eram laranjas...) na cabeça, no tronco, ou seja lá onde for.

É mau de mais, pensam vocês. Mas, infelizmente, a festa ainda só estava a começar. Imaginem lá que, só por pura coincidência, estava um rapazito à vossa frente (daqueles que têm metade do vosso tamanho e que no entanto vos empurram seja lá onde for para continuarem com as suas correrias) que, com o seu arzinho de menino bem comportado pois sim!, resolve entrar na brincadeira e, quando vocês pensam que já não há mais maldades a inventar, pum!, apercebem-se (além dos gomos de laranja, das cascas de laranja, e de outro material afim) de que o dito cujo rapaz santinho traz consigo um pau de giz. É isso mesmo, um daqueles pauzinhos pequeninos (sim, nas escolas também se sente a crise) de giz branco que sua excelência resolve partir ao meio e esmagar uma das metades bem no meio do chão. E, como se não fosse o suficiente, resolve apanhar o pózinho esmagado de giz e atira-lo para o meio da multidão, para as pessoas à frente, etc... e, não se esqueçam, que lá pelo pó ser atirado para a frente não quer dizer que não salpique para  quem está mesmo atrás que, neste caso, são vocês. Ai se não fosse o vosso impermeável a proteger a roupa!

Ah! E sabem para que é que servia a segunda metade? Para escrever aqueles nomes dengosos no chão e na parede e que se encontram escritos em todas as casas de banho das escolas e que só honram o bom comportamento dos adolescentes, não é verdade? Ainda assim a dita criatura, não satisfeita, resolveu espalhar o pó do giz nas mãos e esfregar em sei-lá-o-que-fosse que encontrasse pela frente.

Enfim. Não tenho mais palavras para isto. Esta situação durante cerca de meia hora e ninguém, mas absolutamente NINGUÉM deu conta.

NINGUÉM! (não, não é a personagem do Ulisses...)

3 Maçãs

  1. ahaha , muito boa postagem ! :)
    > http://bit.ly/salpicos

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  2. isso às vezes também acontece na minha escola... é super irritante!
    beijinhos

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Olá! Obrigada pelo teu comentário no Pomarão. :)